Fernando Gallo Arquiteto

Artigos

Bauru prepara seu novo centro (manchete do Jornal da Cidade)

01/11/2009

 

No Centro, a cidade projeta boulevard a partir da estação

 

Por Adilson Camargo


Todas as coisas realizadas foram idealizadas, para não dizer sonhadas, e a partir daí, com determinação, trabalho e superação de desafios, plenamente concretizadas. A revitalização do Centro, a recuperação e a reativação da antiga Estação da NOB, onde a maior fase de progresso da cidade teve início, são antigos sonhos de todos os que amam Bauru e querem ver a cidade “Coração de São Paulo” cada vez melhor e muito mais bonita

 

Com esse mesmo objetivo, o Jornal da Cidade propôs a saudável provocação ao empreendedor Avelino Cortellini, presidente do Grupo Marca, que apesar de não ter comprado o prédio da antiga estação, se revela um apaixonado pela história e beleza do imóvel. Ele reagiu positivamente e convocou o talento do jovem arquiteto Fernando Gallo para a realização dos estudos, que se materializam nestas páginas.

 

Reestilizado, um projeto da Voa Archictets Associates, encomendado pelo Grupo Marca, para o que seria um Centro de Entretenimento Familiar na estação, foi trabalhado por Gallo nesta nova perspectiva. “Eu de coração luto por uma nova Bauru”, disse Avelino ao JC, em complemento à resposta que deu sobre o sonho de um boulevard unindo Praça Rui Barbosa, Calçadão da Batista, Praça Machado de Mello e Estação Ferroviária. Avellino segue interessado e negociando áreas contiguas à da estação para outros empreendimentos.

 

A provocação arquitetônica que o JC publica nesta edição é apenas uma simulação de como poderia ficar o centro a partir da compra da estação, já encaminhada pelo prefeito Rodrigo Agostinho. Propostas de projetos poderão e deverão surgir a partir de agora. O presidente da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos (Assenag), arquiteto Emerson Crivelli, já colocou sua entidade à disposição para elaborar um projeto para a estação, assim como seu colega arquiteto Hedivaldo Canho, presidente da regional Bauru do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB). Foi durante a assinatura do decreto que tornou a estação imóvel de utilidade pública, há duas semanas.

 

O JC estará aberto ao debate sobre o tema a partir de agora, também a outras propostas de simulações urbanísticas como as de hoje. Recentemente, o jovem arquiteto bauruense Bito Kirita projetou a transposição do Centro da cidade à região da Vila Falcão, através do amplo imóvel onde está a estação, com a previsão de viaduto no local. Enfim, está dada a largada para a grande revitalização do Centro da cidade em seus aspectos arquitetônico, urbanístico e histórico.

 

 

Multifuncionalidade

 

Entusiasmado com as possibilidades de reativação e renovação daquela importante área do centro bauruense, Fernando Gallo trabalhou em alguns projetos iniciais e avalia soluções como a integração da Praça Machado de Mello ao prédio principal, alterando o traçado original da rua 1º de Agosto. Outras sugestões, incluindo também as do jornal Segunda-Feira, edição da semana passada, tanto para o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) quanto para o presidente da Câmara, Pastor Luiz (PTB), são as de que o edifício da antiga estação abrigue um novo posto da Polícia Militar e a cessão, através de concorrência, do belo saguão de entrada, embarque e desembarque, para serviços 24 horas, como café, padaria, confeitaria, farmácia, banca de revistas e jornais e até mesmo um mini-mercado, que atenderiam não só ao público da área central, mas a todos que estiverem de passagem pelo Centro.

 

 

Passado e futuro na concepção

 

A junção física da Praça Rui Barbosa, Calçadão, Praça Machado de Mello e Estação Ferroviária projetada pelo arquiteto Fernando Gallo a partir de provocação do JC, remete a uma conexão imaginária mas concreta na história da fundação de Bauru. Da Rui Barbosa, ponto de partida do boulevard que gerou as imagens destas páginas, pode-se traçar um importante elo com a rua Araújo Leite e Baixada do Silvino, na região do Terminal Rodoviário. Foi nesta área que Bauru começou, há 113 anos. Portanto, o passado ficaria contemplado com este passeio imaginário, que pode se tornar realidade a partir de decisões e vontade política do poder público.

 

As conexões vão além e agora se voltam ao futuro. A baixada do Silvino é o ponto de partida para o eixo norte da Nações Unidas, cujas obras começaram e só terminarão na rodovia Bauru-Marília. Bem no meio deste mapa do passado e do futuro estará, brevemente, segundo apurou o JC, um novo shopping, na área da antiga fábrica da Antarctica, próximo ao Poupatempo.

 

Assim, ao mesmo tempo em que o Centro da cidade seria revitalizado, pois certamente o boulevard desencadearia uma reação em cadeia em termos de novas fachadas e reformas em geral, a região Norte da cidade também ganharia vida nova, com desenvolvimento equilibrado entre suas mais variadas regiões e qualidade de vida, a partir da Nações Norte, sonhada, da mesma forma, pelo JC, na edição de 1 de janeiro de 2006, naquela época junto com o arquiteto Jurandyr Bueno Filho, que resgatou um projeto de Adelmo Bertussi e que hoje vira realidade, a partir de investimentos do governo do Estado.

 

A revitalização da Praça Machado de Mello, da maneira como foi planejada pelo arquiteto Fernando Gallo, tem como objetivo devolver a vida não somente à Estação Ferroviária, considerada o berço de Bauru, mas para toda a região central que, no passado, foi o eixo comercial do município. A Estação, a Praça Machado de Mello, a rua Batista de Carvalho e a Catedral do Divino Espírito Santo, na Praça Rui Barbosa, formavam o principal corredor da cidade. Era por onde passavam quase todas as pessoas que visitavam Bauru, trazidas pela estrada de ferro.

 

Após a desativação do transporte ferroviário, a Estação e a Praça Machado de Mello perderam o glamour e foram esquecidas. Enquanto a Estação passou a sofrer com as depredações, a praça virou moradia de mendigos e ponto de encontro de delinqüentes. Um tratamento nada digno para dois patrimônios históricos da cidade.

 

Uma vez colocado em prática, o projeto de revitalização dará nova vida à região. Para isso, a mudança da sede da Câmara Municipal para as dependências da Estação é fundamental. O fluxo de pessoas vai aumentar e com ele novos serviços devem surgir, como padaria, farmácia, cafés e outros estabelecimentos.

 

“Se alguém quiser tomar um café às 22h poderá vir aqui. A Estação é um lugar de fácil acesso. Queremos transformar a praça em um local onde as pessoas possam se encontrar, trazer as crianças”, diz o arquiteto. Ele lembra que hoje o movimento naquela região é intenso durante o dia, mas depois das 18h a circulação diminui. “Quando chega a noite, não tem mais ninguém. Fecha tudo e o local torna-se perigoso”, observa.

 

Se o espaço for usado 24 horas, Gallo acredita que o local, conseqüentemente, irá atrair outros serviços 24 horas. “Será como a avenida Getúlio Vargas. Lá, começaram a aparecer serviços em torno do Supermercado Confiança e foi se espalhando e hoje chegou nos residenciais Paineiras e Samambaia, onde antes era só terra e ninguém queria ir morar lá”, cita.

 

Pensando na maior movimentação de pessoas pelo local, o arquiteto sugere a integração da praça com a Estação, aumentando assim o espaço para circulação e diminuindo o risco de acidentes. Ao invés do motorista passar em frente ao prédio da Estação, ele viraria à esquerda e contornaria a Praça Machado de Mello para ter acesso à avenida Pedro de Toledo e à rua Alfredo Ruiz.

 

As intervenções na praça não seriam profundas. Tudo o que já exite no local seria mantido, menos a base comunitária da Polícia Militar, que teria de ser transferida para um outro lugar. O calçamento teria de ser refeito, a parte de acessibilidade para cadeirantes, idosos, crianças, deficientes visuais teria de ser restruturada.

 

De acordo com o arquiteto, as mudanças não trariam grande despesa para o poder público. “Financeiramente, é uma obra viável, basta querer. É simples de fazer e barato”, afirma. “A infra-estrutura já existe. É só mudar algumas coisas”. Segundo ele, faz muito tempo que se pensa na revitalização do Centro da cidade, especialmente da Estação Ferroviária, e agora seria o momento ideal para pôr a idéia em prática. A ida da Câmara para as dependências da Estação é o pretexto que estava faltando. “A transferência da Câmara é o momento ideal para mudar o conjunto todo”, sugere.

 

 

‘Temos de acreditar que é possível’, diz prefeito

 

A proposta de desapropriação da Estação Ferroviária apresentada pela Prefeitura de Bauru em parceria com a Câmara Municipal ao Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de Bauru, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, detentor da posse da área, foi o que provocou a elaboração do projeto de revitalização da Praça Machado de Mello e, conseqüentemente, do Centro da cidade.

 

O município está em negociação com o sindicato. Segundo o prefeito Rodrigo Agostinho, se a Câmara Municipal aprovar ainda este ano o projeto que destina recurso para pagar a primeira parcela da desapropriação amigável da área, é provável que a “cara” da Estação comece a mudar já em 2009.

 

“Se a Câmara aprovar o projeto, pago a parcela ainda este ano, fecho a desapropriação e darei início à limpeza completa da Estação e a reforma do relógio”, afirma. “Aí, no próximo ano, faremos a reforma completa".

 

Além dessa, a prefeitura tem outras ações com o propósito de revitalizar o Centro de Bauru. Segundo informou o prefeito, até o fim deste ano a fonte da Praça Rui Barbosa deverá ser totalmente reformada. Além disso, o município encaminhou projeto para o Ministério das Cidades para reformar todas as calçadas da avenida Rodrigues Alves. “Queremos reformar também o asfalto da Rodrigues Alves e licitar os pontos de ônibus. Com isso, vamos dar uma nova cara para um local de grande circulação, que é o Centro”, diz.

 

Rodrigo observa que o Centro tornou-se um lugar quase exclusivamente de trabalho. É cada vez menor o número de pessoas que querem morar na região central. Além disso, é um local que praticamente não oferece nenhum tipo de lazer.

 

O desafio, segundo o prefeito, é comprar a Estação e levar para lá eventos culturais e lazer. De acordo com ele, é uma forma de tornar a região mais atrativa e agradável. “Nós temos de acreditar que é possível dar vida ao Centro novamente”, diz o prefeito, que gostou do projeto apresentado pelo arquiteto Fernando Gallo.

 

 

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Para ler a matéria no site do Jornal da Cidade, clique aqui.

Sustentabilidade - o que isso quer dizer?

19/10/2009

A expressão da moda é: sustentabilidade. Mas o que quer dizer esta palavra que estampa capas de revista, páginas da internet e noticiários? Os planos do governo, os discursos da ONU e até as empresas a têm como meta, mas qual o seu peso? Como ela funciona na prática? Por que esta urgência repentina em correr atrás de algo que sequer ouvíamos falar?

 

Sustentável é todo processo que tem a qualidade de continuidade e preservação. Trocando em miúdos, é toda atividade humana que não extingue os recursos de seu ambiente, dando-lhe tempo e condições para que se renove, seja isto por meio natural ou também por ação humana. Sim, o homem pode alterar, estimular ou mesmo criar fontes de recursos e energia em seu ambiente – a exemplo das represas hidrelétricas e dos reflorestamentos das madeireiras. A sustentabilidade, porém, não é só o monstro a ser domado pelos governantes e empresas das grandes nações poluidoras. Ela também freqüenta nossas casas e nos empurra para dentro deste processo. Afinal, além da comoção passageira com aquela foto-clichê de árvores serradas na Amazônia, a preocupação com o ambiente tem outras escalas, indo do seu quarto ao seu planeta, dos madeireiros ilegais à conservação do asfalto de nossa cidade, ao playground do seu condomínio, à sua conta de luz e à própria cadeira onde você está.

 

Os dados ambientais publicados na imprensa são assustadores. Mas em vez de discutir as generalidades do assunto, apresentarei apenas sugestões e questões que tocam a Arquitetura, para mostrar que com ela é possível reverter este quadro ou, ao menos, não agravá-lo – o que já é de bom tamanho. E também para descobrirmos que somos mais importantes neste processo do que imaginamos.

 

A Arquitetura é uma atividade que já implica de imediato no que há de mais simples e nobre na sustentabilidade: o planejamento. Aplicado desde a escolha do local da obra, no Projeto Arquitetônico e na própria construção, o planejamento pode carregar a sustentabilidade sem atrapalhar em nada a realização e o conceito de seu Projeto. A sustentabilidade pode, inclusive, trazer uma nova visão sobre a Arquitetura. Analisemos a princípio o Projeto de uma casa. Antes dele, a escolha do lote é o primeiro diferencial: sua posição definirá a distribuição dos ambientes quanto à insolação. Se o fundo de seu lote está voltado para o sul, por exemplo, os quartos voltados para ele – que terá uma provável área de lazer – serão pouco ensolarados, isto é, menor retenção de calor e iluminação, menor exploração do bem-estar e maior conta de luz. Assim como a posição, a localização do lote também conta: as Áreas Verdes próximas, por exemplo, são motivo de atenção. Nossas leis municipais exigem sua presença nos loteamentos, fechados ou não, porém isto não se traduz em matagais em áreas de sobra. Tais Áreas podem ser plenamente utilizadas pelos moradores para o lazer, cultura e esportes. A vegetação, aliás, deve ultrapassar as Áreas Verdes exigidas, através da arborização das vias, das próprias residências e da não-pavimentação de superfícies que permitirem isto. Todo este conjunto criará, com um mínimo de investimentos, resultados tão simples quanto importantes: mais qualidade de vida, maior preservação do meio-ambiente, total funcionalidade e o efeito de microclima, tantas vezes deixado de lado, mas vital. Ele traz aquele bem-estar ímpar tal qual o sentido ao percorrer uma rua repleta de árvores. As grandes metrópoles, já sem alternativas, apelam para a construção por inteiro destes ambientes, numa guerra de folders imobiliários onde condomínios verticais e horizontais são recheados de Áreas Verdes. Nós ainda temos a opção de não chegar lá, exigindo um crescimento urbano saudável.

 

Já no Projeto, a sustentabilidade pode ter vários papéis. As portas e janelas, por exemplo, podem ser planejadas para aproveitar a iluminação e a ventilação naturais ao máximo, através de sua localização sobre áreas de trabalho (bancadas de cozinha, áreas de estudo, livings etc.), em paredes opostas permitindo ventilações cruzadas ou voltadas para o melhor momento de insolação que o ambiente necessita. Esta atenção diminuirá o uso de iluminação e condicionamento de ar artificiais e, assim, seu bolso e nossas fontes de energia agradecerão: atualmente o homem extrai a energia do planeta num ritmo 25% acima de sua capacidade de renovação, ritmo ainda crescente. Outra sugestão de Projeto de extrema importância é o tratamento adequado dado às águas da chuva. Antes que alguém amaldiçoe o descaso à qualidade de nossas ruas, às galerias pluviais e ao planejamento, trarei à tona nossa responsabilidade – pois parte dos problemas que as chuvas e inundações causam, dos quais reclamamos, é de autoria dos cidadãos. A Arquitetura não dá conta do combate ao abominável hábito de jogar lixo pela janela dos carros ou nos terrenos, mas pode oferecer soluções extremamente úteis, tendo a maioria delas um propósito comum: cada lote dar um fim responsável à quantidade de água das chuvas que recebe. Hoje, a maior parte desta água é jogada rapidamente à coleta urbana ou diretamente às ruas, juntando-se à água que vem de outros lotes, de outros quarteirões e de outros bairros, numa soma venenosa que transforma muitas de nossas vias em verdadeiras calhas urbanas. Porém, há idéias simples que quebram este ciclo. Já acessível, ainda que a certo custo, podemos citar o armazenamento e tratamento particular da água das chuvas para seu reaproveitamento com vários fins: vasos sanitários, torneiras de jardins, quintais e estacionamentos. Em empresas e indústrias, incluímos aí lavagens, resfriamento, irrigação, consumo de animais, reservas de incêndio etc. Ainda a certo custo, pode-se até localizar no Projeto uma estação de pré-tratamento de esgoto – que não traz retorno direto ao dono, mas trará à cidade. E para quem fez cara feia ao ler “investimentos”, há meios mais simples que não reaproveitam a água mas têm os mesmos resultados na preservação do nosso ambiente-cidade ante o caos das enxurradas. O combate ao velho costume da impermeabilização imprudente é um deles. É uma lógica simples, onde não se pavimenta nem se reveste o solo, dando a ele a capacidade e o tempo necessário para absorver a maior parte possível da água das chuvas. Na prática, sua aplicação é através da previsão de áreas permeáveis (jardins, por exemplo) ou, quando necessário, cisternas que maximizam o tempo de absorção da água pelo solo e reduzem a quantidade de água dispensada. Atitudes simples e eficazes que, se a maior parte da cidade a adotasse, teríamos carnavais com melhores lembranças.

 

Na obra, o mais importante é ela estar nas mãos de um profissional qualificado, algo tão imprescindível quanto é o Projeto nas mãos do Arquiteto Este responsável, seja o próprio Arquiteto, seja um Engenheiro ou uma construtora, aliado a fornecedores e mão-de-obra com referências, serão guias do sucesso de sua obra e tornarão reais duas palavras mágicas: aproveitamento e qualidade. Dentro do aproveitamento está, por exemplo, o combate incansável ao desperdício. Sua gestão traz resultados não apenas à preservação de recursos mas também ao seu bolso – para se ter uma idéia de sua dimensão, uma pesquisa da UFMG em vários Estados brasileiros: nossa construção civil desperdiça em média 20% dos materiais. É como construir uma casa com as sobras de outras quatro. Em algumas médias regionais, desperdícios de argamassa e madeira chegam a alarmantes 90%. E por fim, dentro da qualidade na obra, faço as duas últimas sugestões: a primeira é a economia inteligente. Explico: materiais de má qualidade, mão-de-obra sem qualificação, erros de execução, de entrega, de utilização de ferramentas, de orçamento e de outras espécies são fonte da maior parte do desperdício. Não por coincidência, são trapalhadas que começam na economia burra – aquela onde o custo baixo vem antes da consulta ao Arquiteto e ao Engenheiro quanto à competência da mão-de-obra e à qualidade dos materiais. A segunda sugestão vêm da primeira, onde proponho algo simples: questionar seu fornecedor e seu Engenheiro sobre a procedência dos materiais. Parece desnecessário? A ausência desta pergunta é o cenário da famosa foto-clichê. Das árvores amazônicas, diz o Ibama, 85 a 90% têm origem ilegal e metade do seu destino está na construção civil e moveleira do Sul e Sudeste.

 

Esta última sugestão me lembra um Projeto que engloba várias soluções citadas aqui: uma igreja, provida de alojamentos, vestiários e refeitório, que está sendo desenvolvida em uma imensa área verde. Imersa em sombras de árvores, posicionada estrategicamente para aproveitar o sol e a ventilação exatos que cada ambiente necessita, possuirá uma estrutura toda em madeira, levantada por um mutirão que utilizará apenas material de reflorestamento. A meta é o desperdício zero, durante e depois da obra: nada de ar condicionado, nem lâmpadas ligadas antes do pôr-do-sol. Tudo simples, econômico e correto, apresentando ainda uma arquitetura única e com mais conforto que muitas obras repletas de dispositivos que consomem energia.

 

Assim, vemos que sustentabilidade não é um bicho de sete cabeças, mas também que ela já faz parte de nossa vida. E ao contrário da introdução onde quis prender sua atenção, não há nada de moda nela: o químico sueco Svante Arrhenius já anunciava o aquecimento global e a dependência suicida do petróleo em 1896. É... a sustentabilidade é mais antiga e muito maior do que qualquer moda.

 

“Quando a última árvore cair, quando o último rio secar e quando o último peixe for pescado, vocês entenderão que dinheiro não se come” – Greenpeace

 

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Este artigo foi publicado em vários meios de comunicação. Para visualizá-los, clique abaixo:

 

Só Arquitetura ( Link 1 / Link 2 )

 

Preciso Falar

Residência Mendes, Bauru-SP (Revista Arquitetura Brasil)

10/09/2009

Artigo da revista Arquitetura Brasil sobre a Residência Mendes, no Residencial Villaggio III (2009, Bauru-SP).

 

Clique aqui e veja a matéria completa

 

Clique aqui e veja o álbum de fotos da Residência

Iluminação e Ventilação Naturais (site da Claris)

29/05/2009

Além de começar uma obra da melhor maneira possível, consultar um Arquiteto e realizar um projeto é também colaborar com o futuro do planeta e, por que não, com o seu bolso.A sustentabilidade, apesar de ser uma enorme questão de grandes nações, pode ser aplicada facilmente em qualquer obra. E não optar por ela seria um equívoco tremendo – simplesmente não há vantagens em deixar de lado a dica a seguir.

 

As portas e janelas do seu projeto devem aproveitar a iluminação e a ventilação naturais ao máximo, através de suas dimensões e de sua localização: sobre áreas de trabalho (bancadas de cozinha, áreas de estudo, livings etc.), em paredes opostas (permitindo ventilações cruzadas) e voltadas para o melhor momento de insolação que o ambiente necessita (nascer do sol, ausência de sol direto etc.). Esta atenção especial diminuirá de forma impressionante o uso de iluminação artificial e ar condicionado, seguindo ainda novas tendências da Arquitetura e proporcionando muita qualidade de vida, interagindo os espaços, trazendo as áreas e jardins externos para dentro do ambiente e estimulando o espírito das pessoas que vivem ou trabalham nestes espaços. E, como dito, seu bolso e nosso planeta agradecerão.

 

(dica de Arquitetura publicada no site da Claris - Esquadias de PVC, em 29/05/2009)

 

Para ver a dica no site da Claris, clique aqui.

Engenho Bangüê: rústico e charmoso

03/04/2009

 

O Engenho Bangüê, projetado por Fernando Gallo, usa simplicidade e boas idéias para criar um ambiente aconchegante

 

O novo bar do empresário Fernando Gimenez não poderia ser apenas mais um na cidade. Na última década, Bauru virou uma referência de entretenimento na região e a concorrência para esse mercado ficou bastante acirrada. Para sair do lugar comum, Gimenez escolheu um ponto de destaque, bem na avenida mais agitada da cidade, point de gente jovem que quer um lugar para se divertir. Em seguida, o empresário procurou o arquiteto Fernando Gallo para um projeto arquitetônico a altura da localização privilegiada.

 

O arquiteto Fernando Gallo fez o estudo do terreno de 240m² para erguer ali uma cachaçaria de estilo rústico, que deveria abrigar uma grande diversidade de bebidas, uma cozinha elaborada para servir gastronomia mineira aos clientes, com bastante espaço para circulação e apresentações ao vivo.

 

"Tudo girava em torno do estilo do bar. A grande idéia aqui foi aliar o rústico à praticidade", lembra o arquiteto. Outro ponto levado em consideração foi a localização, já que a avenida onde o bar está, é um ponto de grande movimentação de pedestres – que praticam esporte e paqueram no local. "Era importante valorizar a interação, para quem está sentado tomando uma cerveja na cachaçaria possa acompanhar a movimentação da rua e vice-versa", explica Gallo.

 

O nome do bar foi uma referência às antigas fazendas da região, "Engenho Bangüê". Seguindo a mesma temática, a elaboração do espaço exigiu varandas, com áreas externa e interna para mesas e clientes, além de um segundo piso composto por um mezanino e a presença de muito vidro e muitas pérgolas, dando amplitude ao local.

                

Materiais

 

Madeira e tijolo aparente foram os elementos principais da construção. O piso foi pensado de forma a facilitar a manutenção, e por isso, foi revestido com cimento queimado para manter o conceito rústico do bar, sem as complicações de manutenção que um piso de madeira comum pode trazer para um estabelecimento comercial.

 

Para trazer um detalhe moderno à rusticidade, uma fachada inteira em vidro, iluminando o bar com luz natural durante o dia,e favorecendo a vista da bela Av. Getúlio Vargas. "O vidro foi aplicado em um ângulo onde o sol não bate diretamente dentro do estabelecimento no horário de funcionamento, de forma a manter sempre uma temperatura agradável no local sendo desnecessário o uso de condicionadores de ar, havendo assim maior economia de energia elétrica, benefício não só financeirao mas também ao meio ambiente. As portas de vidro foram projetadas de maneira a abrirem por completo, fazendo com que haja maior ganho de espaço para mesas e ventilação agradável no ambiente".

 

A escada que conduz ao mezanino tem um desenho exclusivo do arquiteto. "É algo simples, mas bem bolado, como todos os outros elementos do bar", diz. ele O telhado, que também conta com design único, é privilegiado pelo ângulo de visão que proporciona aos clientes. "Tudo é singular. O que você vê aqui, não verá em outro lugar", afirma.

 

Pensando na funcionalidade do bar para todos os funcionários e no bem estar dos clientes, a entrada de serviço fica escondida, ao lado da porta principal, para que os clientes não se deparem com entrada e saída de mercadorias e outros.

 

  

 

Pesquisa no campo

 

Para a decoração, Gimenez buscou elementos em fazendas da região, sob orientação de Gallo. Uma roda de carroça, por exemplo, virou o inovador lustre do mezanino. Lâmpadas amarelas compõem o projeto luminotécnico do espaço, para dar um ar mais aconchegante e também para espantar pernilongos, mariposas e outros insetos, já que do outro lado da  Av. Getúlio Vargas tem o Aeroclube de Bauru com ampla área aberta e que poderia trazer para o bar alguns incômodos visitantes - que nunca chegaram a adentrar o bar.

 

O resultado dessa parceria é um espaço charmoso que faz aos clientes um convite irresistível. Quem passa por lá para aproveitar um fim de tarde tomando um chope ou para ouvir uma música ao vivo com os amigos, se apaixona e volta sempre que pode.

 

Engenho Bangüê

Av. Getúlio Vargas 19-36, Bauru-SP

www.engenhobangue.com.br

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